May242012

Descobri também que os sonhos e a felicidade podem estar tão, tão interligados…

May202012
“Eu tenho tido a alegria como dom, e em cada canto em vejo o lado bom.” MM.
11AM

   ”Como ser feliz” tem me perturbado diariamente nesses últimos tempos. Na ânsia de buscar o meu próprio bem estar, tenho incessantemente procurado nas pessoas os motivos que as fazem felizes. Busco nas biografias, nas falas de entrevistas, nas letras das músicas, e imagino por que, quando e como acabaram sendo felizes. 
   Na verdade eu tenho a ciência de que o que as pessoas mais fazem é mostrar um status ao qual elas não pertencem, pelo justo fato de quererem se encaixar ali. E, sendo sincera, é exatamente o que venho tentando fazer nesses últimos meses.
   Entretanto, entre olhares e sorrisos, percebi que a felicidade de alguns é realmente uma felicidade real. Não entendo como, em que nível máximo de sintonia com o mundo, chega-se a esse estado. Eu vejo tudo muito revirado, desorganizado e sem sentido pra me sentir extremamente de bem com tudo. Eu me importo demais, me preocupo demais, me incomodo demais; é uma coisa louca.
   Mas agora cansei. Hoje acordei bem, acordei me questionando menos e querendo sentir mais. Hoje resolvi ser feliz. Imaginei, por um momento, que pra ser feliz deve-se justamente ter as preocupações e incômodos mas com o único diferencial de saber tê-los sob segundo plano, digamos. É estar bem apesar de. 
   
 

May172012

Tão fragilizada que qualquer cisco de poeira que cair do céu é capaz de me jogar no chão e me tapear da maneira que quiser.

10PM

Sinto que um pedaço de mim está tão perfeitamente encaixado na alma que tirá-lo de lá é como declarar o caos. Tentar tirá-lo de lá me requer tanta energia que me confesso exausta. É como uma troca: resgata-o em lugar do passe livre ao sofrimento.

10PM

A verdade é: viver me amedronta.

10PM

A vontade de chorar é maior que a capacidade. Me pego fazendo as caretas mais terríveis na urgência de colocar para fora todo o sentimento que vem, assim, tão agressivo e veloz. É imensa uma certa dor que nem sequer cabe em mim, e portanto permanece transbordando esporadicamente, sem nem se preocupar com a força que tem. 

10PM

A sensação de desistência não vem apenas subitamente, como resolve ficar por um tempo. Vem com uma força escandalosamente suficiente para que eu entre no estado   de perecibilidade, como se cada pedaço meu se dilacerasse com facilidade e fluidez. É um choro que não vem, um grito que não vem, uma reação que não vem: tudo numa total estância de dormência e cansaço. Uma frase perfeita para minha atual situação:
”Não sei se quero descansar, por estar realmente cansada, ou se quero descansar para desistir” (Clarice Lispector).
Viver é realmente tão difícil…nada é constituído apenas por fatos isolados, mas cada um deles se relaciona de maneira maldosa com vários outros aspectos, principalmente com as sensações. Sensações são concomitantemente lindas e desastrosas.

May122012

Os sonhos mudam a realidade ou a realidade muda os sonhos?

May82012

Two

     ”Apesar de tudo, havia dentro dela algo especial: a esperança. Ainda bem no fundo do peito, um canto era reservado a todo o seu mundo da imaginação, da felicidade inventada, da parte dela que sonhava em despertar. Assim como o medo, a insegurança e a depressão eram sentimentos fortes, a esperança também. Era ela quem ainda mantinha Ana de pé. Ainda. Todos os dias os fatos ruins eram acalmados com a paciência de que sua hora boa ainda chegaria. O pensamento de que a fase ruim era apenas um caminho tortuoso até o paraíso era latente, era paliativo, agradável, viável. Mas mal ela sabia que era esperança demais para pouca realidade…será que algo bom a esperaria mesmo, de verdade?
     Lutar contra as evidências era agonizante. Era como se a vida lhe tapeasse na cara as verdades e ela simplesmente tentasse fingir que ignorava. Como já lhes disse, morrer para ela não era concebível, portanto a única saída era tentar sobreviver. Sobreviver, então, para ela, diariamente, em resumo, era: acordar, se doer, se recuperar, sofrer, se recuperar, se atacar, se recuperar e finalmente ir dormir para um novo dia.
     Poupando agora as digressões, é importante dizer o que houve desde a hora em que Ana acordou e foi sucateada pela luz[…]”  

May22012

One

     ”Naquele dia, pouco importava se havia o sol ou não. Ela se sentou na cadeira que ficava no jardim e simplesmente olhou tudo. Olhou doído, olhou intenso. Já passava de cansativo aquela sensação toda de insignificância, de não entender a sua presença ali, de olhar os pássaros e perceber suas características especiais e querer se sentir assim. Não havia estímulos que a tirassem dali, ela se estagnara numa situação de total desconforto e vergonha. Sentia-se feia por medo de olharem tudo o que (não) havia dentro dela. O que pensariam de todo aquele orifício oco que era ela? 
     Mexer-se parecia fora de cogitação. Qualquer gesto feito dava a ela um desconforto massacrante - quem era ela para mexer-se de algum jeito em algum lugar? Por um momento, a sensação de insignificância crescia tanto, mas tanto, que até morrer não parecia-lhe concebível e apenas reforçava mais a ideia de sua fraqueza interior. Qualquer pensamento era fulo e encontrava, seja onde fosse, uma crítica a mais, uma zombação a mais. Tudo o que ela queria era sentir que tinha verdadeiramente um lugar no mundo, que ela tinha papéis, que ela tinha habilidades, que ela tinha utilidade. E não queria desistir, pois desistir seria perecer sem antes sentir-se pertencente. Pertencer era a chave, era a porta, era tudo pra ela. Pertencer era sentir-se um.
     Resolveu voltar em casa para, mais uma vez, se valer de horas de sono para amenizar a dor. Dormir era fácil, não precisava estar em contato real com ninguém, não precisava de energia para continuar, não precisava de tanto esforço e tanta luta - afinal, viver era cansativo.  Deitar a cabeça no travesseiro era como despedir-se e se encher de conforto por isso. Era o ponto em que entrar em ação não era mais com ela, ali ela apenas entrava em um modo de espera - esplendor.
     Acordou no susto enquanto o despertador berrava ao seu lado. Suplicando por mais minutos ou até segundos de sono, ela sentou-se na cama e o primeiro fator que lhe rasgava o coração já aparecia - a luz que vinha da janela indicava o novo dia. Nesse momento, era como se 1/4 de sua energia reservada para continuar já fosse esgotada. No mais, todos os dias tinham o mesmo objetivo em comum: fazê-la levantar-se para ele para que, no fim, ele lhe mostrasse mais motivos que a tornassem um pouco mais insignificante e incapaz[…]”

March282012

De verdade, o que eu mais queira era ter essa força que todo mundo tem, essa garra que leva a qualquer objetivo que seja. 

March212012

Odeio sentir que estou reclamando por pouca coisa…

7PM

Tudo é tão complexo… Cada fração de coisa leva consigo a necessidade de todo um manejo, um jogo, uma prova. Você começa tão pequena, leve, ingênua; mas é pouco o tempo preciso pra que você comece a sentir toda a malícia por trás de tudo. Chega a ser até genial como os vários aspectos se combinam e requerem de alguém uma habilidade sensacional de adaptação, de percepção e de envolvimento nesse universo inteiro. E não adianta, não adianta você falar ou ouvir sobre isso e realmente sentir antes de começar a estar na história. É uma sensação única, particular e intransmissível. Dói, e é uma dor diferente. Uma dor solitária, mas que ao mesmo tempo te empurra pra vida, te induz a viver, a se virar, a lutar e, principalmente, a conseguir. 

March12012

O interessante é que todo mundo sempre tem algo a dizer…

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